De acordo com a Agência Internacional de Notícias AhlulBayt (A.S.) – ABNA, a Sabedoria número 14 do Nahj al-Balagha tem sido citada em várias fontes narrativas com algumas variações na redação. De qualquer forma, alguns pesquisadores do Nahj al-Balagha citaram mais de 48 fontes narrativas para esta frase, algumas das quais foram compiladas antes de Sayyed Razi. Além disso, as diferenças nas redações indicam que este hadith existia em outros livros de narrativas, além do Nahj al-Balagha, e as variações nas frases resultam do acesso a outras fontes para a citação deste hadith do Comandante dos Fiéis (A.S.).
Imam Ali (A.S.), na Sabedoria 14 do Nahj al-Balagha, afirma:
"مَنْ ضَیَّعَهُ الْأَقْرَبُ، أُتِیحَ لَهُ الْأَبْعَدُ." "A quem for negligenciado pelos mais próximos, será providenciado por um mais distante."
Os comentaristas apresentaram dois significados diferentes para esta frase, que, com a omissão de preposições e conjunções, consiste em apenas quatro palavras. Isso demonstra a dificuldade de traduzir as palavras do Comandante dos Fiéis (A.S.), bem como sua imensa eloquência e fluidez.
Duas Interpretações da Sabedoria 14
1. Primeira Interpretação: Apoio Divino e Concessão de Novos Apoiadores
Um grupo de comentaristas e tradutores explicou essa frase da seguinte forma: o Imam (A.S.) afirma que se um indivíduo ou grupo não for apoiado por seus entes próximos, Deus designará outro grupo como apoiador para esse grupo ou indivíduo. Assim, nenhuma pessoa ou grupo, especialmente se forem pessoas justas, será jamais abandonado por Deus e pelos apoiadores designados por Ele — Glória a Ele —, e sempre haverá indivíduos ou grupos que agirão para apoiá-los.
O exemplo histórico mais proeminente desse apoio divino é o apoio concedido ao Profeta do Islã (S.A.A.S.) por indivíduos de tribos não Quraysh, durante sua presença em Medina. Embora um grande número de parentes do Profeta (S.A.A.S.) tenha cessado de ajudá-lo e até lutado contra ele, Deus providenciou um vasto apoio para o Profeta (S.A.A.S.) através de outras pessoas na cidade de Medina. O resultado final desses apoios divinos foi a conquista de Meca e, finalmente, a expansão do Islã em diversas regiões do mundo.
2. Segunda Interpretação: Consequências da Negligência dos Próximos
Um segundo grupo de comentaristas do Nahj al-Balagha apresentou um significado diferente para essa frase, que contrasta claramente com a primeira interpretação. Na visão desse grupo, se os entes próximos não utilizarem as capacidades de um indivíduo ou grupo, e não combinarem essas capacidades para fortalecer suas próprias habilidades e poder, esse poder será transferido para outra pessoa, e essa capacidade pode até ser usada como uma ferramenta contra os próprios entes próximos do indivíduo. Em outras palavras, nesse cenário, a pessoa rejeitada por seus entes próximos pode se tornar um instrumento para o abuso de outros.
Nessa explicação, há um maior foco na perspectiva social e também na atenção às dimensões psicológicas. É enfatizado que, na medida do possível, as conexões sociais entre os membros de um grupo devem ser amplas, e a rejeição ou negação de qualquer pessoa deve ser evitada.
Muitos exemplos observados nas comunidades podem servir como prova disso. Por exemplo, tem sido frequentemente observado que a rejeição de um filho pelos membros de uma família o torna suscetível a amizades com más companhias ou a cometer atos sociais inadequados.
Fontes:
- Livro: Payam-e Imam, Sharh Nahj al-Balagha, Ayatollah al-Ozma Makarem Shirazi
- Livro: Ruwat va Mohaddesin Nahj al-Balagha, falecido Mohammad Dashti
- Livro: Sharh Nahj al-Balagha Ibn Maytham al-Bahrani, Tradução: Mohammadi Moqaddam
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